• <p>GT Platão e Platonismo</p>

XIII Simpósio Internacional da SBP

A cerrada argumentação dialética em torno do problema do Um e do Múltiplo que põe em questão, na primeira parte do diálogo, a teoria das Formas e, na segunda, se desenvolve como uma árida série de deduções da tese do ser Um para findar-se numa aporia desconcertante, notabiliza o Parmênides de Platão como o diálogo que coloca as dificuldades exegéticas mais espinhosas. Classificado pela cronologia padrão como no início de uma fase tardia da carreira do autor, então situado antes de diálogos como Teeteto, Sofista, Político, Filebo e Timeu, o Parmênides parece assinalar uma crise no pensamento de Platão que exigirá do filósofo uma crítica de suas influências filosóficas e revisão de suas próprias ideias.

Se não é fácil encontrar consensos sobre qualquer diálogo platônico, o caso é mais dramático em se tratando do Parmênides. Os desacordos não concernem apenas a pontos específicos da obra, o sentido geral do Parmênides tem sido objeto de interpretações variadas desde a antiguidade. Já Proclo distinguia duas linhas interpretativas principais: (1) uma focalizada na lógica do diálogo; (2) outra na metafísica, esta sendo a interpretação da própria escola neoplatônica, para qual o Parmênides antecipa a doutrina do Um e da emanação, interpretação difusa que foi historicamente dominante e endossada por Hegel na modernidade. Nos tempos mais recentes, a leitura lógica tem predominado; nela se abriga a abordagem ao diálogo como uma polêmica humorada a fim de reduzir ao absurdo o monismo eleático; mas para a maioria dos intérpretes da leitura lógica, sobretudo os analíticos, os argumentos devem ser tomados seriamente por tratarem de questões de semântica, da lógica da predicação e da gramática filosófica. Alternativamente, há comentários que examinam o Parmênides à luz de um ensinamento oral de Platão; já para outros estudiosos o significado da obra e solução de suas aporias seriam encontradas nas relações do Parmênides com os diálogos tardios, especialmente o Sofista.

A chave de leitura apropriada do Parmênides, se assim podemos dizer, estar por ser descoberta; enquanto isso, na crescente literatura sobre a obra, os comentadores seguem com suas opiniões amplamente divididas acerca de questões ainda abertas: que função atribuir a Parmênides e a Zenão no diálogo e qual relação há entre as doutrinas historicamente defendidas por eles e o pensamento de Platão? Em que sentido deve-se compreender a crítica endereçada à teoria das Formas na primeira parte do diálogo? Qual o sentido do exercício dialético na segunda parte? Quais as relações entre as duas partes do diálogo? Que lições tirar de seu final aparentemente aporético? Enfim, o que representa o Parmênides no conjunto da obra platônica?

Essas e outras questões serão debatidas no “XIII Simpósio Internacional da SBP”, que reunirá na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no período de 17-19 de outubro de 2017, importantes estudiosos de Platão e da tradição platônica, assim como um público amplo de estudantes, pesquisadores e profissionais interessados no assunto. O evento conta com o apoio da CAPES, do Departamento de Filosofia e Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFSM, e do GT-Platão e Platonismo da ANPOF.